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Crônicas do Crimeia "Antes da praça entrar em campo"

No vídeo de hoje, a TV Crimeia destaca o documentário Canto do Rio e a crônica "Antes da praça entrar em campo", de Ricardo Edilberto.







Canto do Rio: Uma Convivência Pós-Várzea (Curta Documentário)






Antes da praça entrar em campo.


Penso que era assim: o Zé do Bar-do-Zé se aprumava bem cedo pra ganhar uns trocados a mais. Outros botecantes e demais comerciantes também seguiam a mesma convicção. Me lembro do Tropeção, do Seu Jorge, do supermercado Mercês... e mais tantos que a memória, fraca, já não me ajuda a recordar os nomes. Os transeuntes notavam alguém que riscava de cal o chão encascalhado. Algumas pessoas começavam a chegar e se abancar em volta. Tempos depois, o palco pronto, a plateia organizada, tudo certo para começar o clássico Arzenal e Ouro Verde, times que dominavam os capeonatos de futebol do Crimeia Leste em meados para fins dos anos 80 na praça Vicente Sanches de Almeida.


Toda gente que morava no Crimeia conhecia jogador de algum time, e assim se formavam as torcidas. Eu, adolescente ainda, era torcedor do Arzenal, já que meu irmão, Petrônio, carregava a camisa 10 da equipe. E todo mundo pronunciava assim mesmo: ARZENAL, com Z. Ao escrever esse artigo cheguei a estar convicto de que a escrita também se fazia da mesma forma, apesar do certo ser ARSENAL, com S, mas fiquei na dúvida. Conversei com alguns jogadores da época e nada, ninguém se lembra. Ficamos no mistério até que alguém se pronuncie. Pois então, os jogadores, após a concentração, com direito a pai nosso, vamo lá caralho!, e tudo mais, partiam para o campo. Tapinha nas costas, palavras de incentivo e bola pra frente.


Olhares grudados nos dribles, nos chutes, nas faltas, nos gols, o som da bola quicando e o tão esperado chuááá, provocando uma explosão coletiva ao balançar das redes; instantes que anestesiavam as preocupações da mente e aliviavam as angústias do cotidiano. No bate-papo das torcidas, criavam-se as mais diferentes relações de convivência. Birita pra lá, birita pra cá, provocações, piadas, xingamentos. Garotas de shortinho comentavam o jogo e as pernas dos jogadores. E os jogadores, por sua vez, não deixavam de retribuir dando aquela olhadela nas pernas das garotas de shortinho. Amizades, admiração, paqueras, namoros, com certeza muitos sonhos e muitas famílias se formaram a partir dali.


Havia brigas também, lógico, é futebol, disputa, todo mundo quer vencer, uma pinóia essa história de que o importante é competir pra quem tá dentro do campo em plena batalha. Me lembro vagamente de um jogo entre um time do Crimeia e outro do Ferroviário que até tiro saiu. Faz parte. Não deve acontecer, mas faz parte. Bom, jogado o jogo, era hora de comemorar ou afogar as mágoas. Nas comemorações rolavam mais cervejas, e eu, como torcedor assíduo, aproveitava bem esse momento. No caso do Arzenal, na maioria das vezes isso acontecia no bar do Letão, que ficava bem pertinho do campo.


Passada a ressaca e a semana, começava tudo de novo. Eram assim os fins de semana no Crimeia Leste. Hoje temos a praça, uma conquista importante. Mas dá saudade lembrar do gostoso fuzuê daqueles tempos de campeonato que, inclusive, revelaram craques mundo afora, como Valdeir, o The Flash do Atlético, do Botafogo, do Bordeaux (França), do Fluminense, do São Paulo, do Flamengo, da Seleção Brasileira.


Ricardo Crimeia.

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1 comentario


gilmare.cifrasevideoaulas
14 jun

Seu Glicério pai do Gilmaré vendia espetinho de frente ao bar do seu Jorge que vendia a pinga! ⚽

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