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Resgate das Crônicas do Crimeia - Sinval e o Corel Pau

No vídeo de hoje, vamos relembrar a edição nº 95 e homenagear uma figura importante para a comunidade do Crimeia Leste: Sinval Félix, o fundador do Jornal Crimeia. Neste mês de maio de 2024, completam-se seis anos de seu falecimento.


Como parte do resgate das Crônicas do Crimeia, de Ricardo Edilberto, vamos relembrar a crônica "Sinval e o Corel Pau".




Resgate das Crônicas do Crimeia.

(Ricardo Edilberto)


Sinval e o Corel Pau.


Quando comecei a trabalhar com publicidade, no início dos anos 90, o Corel Draw era o programa de design gráfico do momento. Todo mundo queria brincar de diretor de arte com aquilo e eu entrei nessa onda também. Já no final dos anos 90, mano Léo me puxou para trabalhar em sua agência, a Verbo Comunicação. À época ele dizia que eu estava dividido entre a direção de arte e a redação, mas que logo escolheria a segunda opção. Previsão não muito difícil já que nunca consegui desenhar uma linha reta ou um círculo redondo. E foi nesse meio tempo que

conheci o amigo Sinval. Sempre sonhador, Sinval se dividia entre o Jornal Crimeia, o desejo de ser representante da associação de bairro do Crimeia e outros projetos crimeienses. Juntamente com outro amigo, Cláudio Elias (Pitoca Júnior), entrei em algumas dessas lutas com ele e, pelo que sei, o Jornal Crimeia foi a de maior êxito. Como eu dominava um pouco o programa, Sinval sempre me pedia dicas e eu acabei diagramando algumas edições com ele.

O tempo foi passando, a falta de habilidade nos desenhos foi cada vez mais me levando à redação, o Crimeia foi crescendo, os amigos se afastando... mas Sinval e o Corel Draw acredito que não mudaram muito e passaram a vida juntos fazendo o Jornal Crimeia. Sinval continuou sendo o amigo sonhador. O Corel Draw parece mesmo não ter evoluído, perdeu espaço no mercado e, em função das inúmeras travadas, recebeu a alcunha carinhosa de Corel Pau.

Mais recentemente, Sinval ganhou a adesão de mano Carlos na feitura do jornal. Entre as diversas discussões dos dois, vira e mexe aparecia o questionamento de que o Corel Draw estava ultrapassado. Sinval não admitia essa afronta e, sempre que eu estava por perto, dizia que eu o havia ensinado e pedia minha concordância sobre a eficiência do programa. Não sei muito bem o que eu respondia nessa saia justa... acho que não respondia kkkkkkkkkkk, mas agora tenho a resposta: escrevendo essas mal traçadas linhas concluo que – por todos os risos que essa história toda proporcionou à minha mente – mano Carlos e Sinval eram a dupla perfeita; Corel Pau, o melhor programa da história da computação; e ainda bem que me tornei redator, como previu mano Léo.


Carta aos amigos do amigo Sinval     

                    

Conhecia Sinval Félix desde menino, mas passei a conviver mais com ele nos últimos 10 anos quando me procurou para ajudá-lo em uma entrevista. Na época, era repórter da Rádio Difusora de Goiânia. A entrevistada era uma senhora simpática de quase 100 anos, a Dona Maria Parteira, que nas décadas de 60 e 70 fazia partos no Criméia e região. Naquele dia senti que nossa parceria iria progredir, só não esperava que seria interrompida de forma brusca com a passagem dele exatamente um mês após a passagem da minha mãe, dona Santa, um duplo golpe do universo comigo. Mas já aprendi: a gente leva tombos nesta vida para redirecionar caminhos. 

Naquele dia, me encantei com entrevista, com Dona Maria Parteira e com o Jornal Criméia, idealizado pelo "menino sonhador" Sinval Félix. A possibilidade de poder contar histórias e dar identidade para as pessoas de uma região onde cresci e aprendi a viver me seduziu. De repente, emocionado, no meio da entrevista, Sinval lembra que tinha nascido nas e das mãos de dona Maria Parteira. Daí nasceu o título da primeira entrevista que fizemos juntos para o Jornal Criméia: “Maria Parteira, a mãe de muitos filhos do Criméia Leste”.

Desde então, contamos muitas histórias de pessoas da comunidade, entre elas: “Márcia, uma mulher de respeito”, “Nonô, um crimeiense da gema”, “João Ferrin e a história do futebol de várzea do Criméia Leste”, Seu Hilário, um baiano arretado”, “O Goiás voltou”, “Fróes e a charge em Goiás”, Ipácio, futebol à moda antiga”, “A casa de flores na calçada da rua”, “Valdeir, O The Flash”, “Pocotó e o meio ambiente no Criméia”, “Seu Magno, reciclando a viva”,  Dino Limongi e o início do Motociclismo em Goiânia”, “Marciano e o samba de raiz”, “Padre Alcides, Irmã Margarida e Irmã Fernandes”; “Léo Pereira, o Terrorista da Palavra”, “João Lico e Dona Santa, reinventando a vida”, “Festival Juriti de Música e Poesia Encenada”, entre outras tantas histórias.

Criamos também quadros fixos como as histórias do Seu Moacir que nos deixou há pouco tempo também. Do Ricardo Edilberto e suas crônicas do Crimeia onde contou várias histórias  de personagens e situações que ficaram impregnadas na sua memória de infância.  Publicação de poesias e crônicas de moradores do bairro, dica de leitura da Hocus Pocus e muitos outros quadros ou colunas  como a Nossa Gente Boa que tem o único objetivo de colocar as pessoas no Jornal já que muita gente reclamava de ainda não ter aparecido no Jornal Criméia, e ainda reclama, uma espécie de coluna social da comunidade,

Sinval, que nos deixou repentinamente, quando estávamos finalizando a edição 94 do Jornal Criméia, era daquelas pessoas que se dedicava intensamente à vida comunitária.  Petista, defendia o ex-presidente Lula com fervor  e ficou muito abatido com a sua prisão. Trabalhou na gestão do ex-prefeito de Goiânia Pedro Wilson, entre 2001 e 2004, desenvolvendo atividades no  Programa Orçamento Participativo  e  sempre travava longas batalhas com os moradores da região em defesa do PT, da presidente Dilma Rousseff e do presidente Lula. Fez isto até o fim da vida, nunca abandonou o apoio ao PT mesmo criticando alguns caminhos que o partido tomou.   

No Jornal Criméia, não se importava de correr atrás de pequenos anúncios e ficar ali, com paciência para receber. Às vezes, trocava o anúncio por um objeto, um serviço, uma cerveja. Outras vezes ficava sem receber e seguia a vida sonhando com o crescimento do Jornal Criméia. Esta é uma realidade que muitos não sabem, ou fazem de conta que não. Fazer um jornal de bairro é muito difícil. O desgaste é muito grande, o lucro é muito pequeno, mas Sinval, mesmo com todas as dificuldades seguia firme, meio assim  descontrolado, do jeito dele, mas firme no seu propósito de continuar fazendo o Jornal e outros jornais de bairro.

Sinval era muito querido no Criméia Leste. O Jornal Criméia é um veículo importante porque dá identidade às pessoas da região. No Jornal são  contadas também histórias dos pioneiros, entrevistas com personagens do bairro, momento cultural, Coluna do Crimeildo onde ele falava dos problemas do bairro. Espaço para as religiões, cultura, crônicas e artigos. Sinval Integrava ainda o Conselho de Saúde do bairro Criméia Leste. Inquieto, resolveu voltar a estudar. No ano passado fez o ENEM e conquistou uma vaga no curso de Jornalismo da Faculdade Araguaia.  

A história do Jornal Criméia começou com a influência de outro jornal do bairro, o Crimelão,  que teve bastante repercussão na década de 70, nos anos de chumbo da ditadura militar. Entre outros amigos da época,  o jornaI foi idealizado pelo hoje publicitário e proprietário da loja de sebos Hocus Pocus, Luiz Fafau, parceiro do Jornal Criméia. Amigo de Fafau, Sinval criou o Jornal Criméia que, aos trancos e barrancos, com anúncios dos comerciantes da região do Criméia Leste, chegou  perto das 100 edições.

O sonho de Sinval era fazer uma grande festa na centésima edição do Jornal Criméia. Por um capricho do destino, não deu tempo pra ele. Mas vamos tentar. Com fé e força a gente chega lá. Esta é  a edição 95, uma edição especial em homenagem ao amigo Sinval. Faltam 5. Conto com vocês, moradores e comerciantes da região para que este sonho seja realizado. 

Grande abraço! Evoé! Vida que segue.


Homenagens ao Sinval


Silval Junior - Filho


Perder um pai é conhecer uma dor sem igual. É ver partir um pedaço grande e importante da nossa existência. É descobrir uma saudade que nunca mais terá fim.

Dói muito perder um pai. Dói muito saber que aquele que tanto amamos e admiramos fechou para sempre os olhos. E dói ainda mais saber que nunca mais sentiremos o calor do seu abraço.

Meu pai, você partiu para sempre deixando para trás um rastro de desoladora saudade, que eu sei, será eterna. Meu pai, eu lhe devo tanto e para sempre lhe ficarei devendo, pois você partiu cedo demais, sem ao menos eu lhe ter dito tudo o que queria.

Houve dias em que eu não lhe telefonei para lhe dizer que o amo, para lhe agradecer por tudo, e tudo o que eu não disse, todos os beijos e abraços que ficaram por dar, me assombram agora, dia e noite.

Eu sei que você sabia, que onde agora está você sabe o quanto eu te amei e amo, mas fica sempre o amargo do que não foi dito e feito, pois a saudade é tão pesada, tão dolorosa...

 

Cristina da Escolinha

 

Sinval Félix, sou grata a cada momento que passamos juntos. Obrigada por sua amizade, pelo seu apoio, sua fidelidade ao PT, pela  sua força que você deu na minha eleição para o Conselho Tutelar e também na de presidente do Conselho Local de Saúde.  Pra mim você um exemplo de amizade e humildade, de coragem. Uma pessoa de coração de ouro. Descanse em paz amigo.

 

 

Homenagem do Conselho Local de Saúde

 

Sinval Félix era um amigo sempre presente no bairro e adjacências.   Membro ativo do Conselho Local de Saúde do  Criméia Leste. Sempre companheiro entusiasmado. Um parceiro de lutas e muito humano.

Mesmo sabendo que um dia a vida acaba, nós não estávamos preparados para perder você  Sinval. Sentimos uma tristeza enorme, profunda com a sua partida.  Ficamos tristes em não poder, pelo menos agradecer a sua boa vontade, seu trabalho, em agradara todos a sua volta. Sentimos gratidão por ter participado de momentos de diálogos, discussões e alegrias na conquista de objetivos do Conselho de Saúde Local. Foi muito produtivo, enriquecedor e aprendemos muito com você e conquistamos muitas coisas com a sua ajuda Sinval Félix que sempre colocou o Jornal Criméia à disposição do Conselho Local de Saúde.

Ficam as lembranças de nossas reuniões e restam saudades eternas para lembrar a falta que você fará para toda  a nossa comunidade.

Obrigada Sinval Félix. Gratidão por tudo. Continuaremos a sua luta amigo.


“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance, ria e viva intensamente ,  antes que a cortina se feche e a peça termina sem aplausos”                   

Charles Chaplin 

 




 

 

 

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