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Quando meu mundo era uma bola de gude.

Atualizado: 8 de dez. de 2023

Crônicas do Crimeia


Por Ricardo Edilberto



Quando meu mundo era uma bola de gude.


Janeiro me lembra férias. E férias levam minha mente ao mundo das bolas de gude e outras brincadeiras dos tempos de infância, muitas vezes inventadas e reinventadas, até mesmo pelo fato de que não dispúnhamos, à época, da poderosa tecnologia brinquedológica que as crianças de hoje possuem. Basta apertar algumas teclas do computador e milhares de opções aparecem.

As bolinhas de gude eram um sucesso à parte. Há pouco mais de 30 anos, acredito que todos os meus amigos do Crimeia faziam suas coleções. Eram bolinhas azuis, verdes, transparentes, rajadas, tinha a bolona, que chamávamos catoio... Na minha coleção, um dos catoios era uma esfera de trator, trazida pelo mano Paulinho quando trabalhava na Sotreq. Essa era só pra provocar inveja nos colegas, não a colocava em jogo, pois perder na disputa significaria entregá-la ao adversário.

Se o ambiente poeirento das ruas de terra e dos lotes baldios causava desconforto social, por outro lado nos dava mais espaços para, por exemplo, soltar pipa, jogar finca, pião, bete, queimada, correr brincando de salva-cadeia e pique-pega. Havia ainda brincadeiras de nomes engraçados, tipo cu-de-boi. Isso mesmo, as regras do cu-de-boi eram simples: apenas um gol, um goleiro e um monte de jogadores na linha. Ganhava quem tivesse mais habilidade pra pegar a bola e marcar mais gols. Joguinho besta, mas divertido.

Outro jogo besta era o dinheirinho. Catávamos carteiras de cigarro e dobrávamos como se fossem cédulas. Aí colocávamos num triângulo desenhado no chão e, a uma certa distância, tacávamos nossas chinelas. Quem conseguisse tirar os dinheirinhos do triângulo ficava com eles.

Não sei se esse jogo existia em outro lugar do mundo. Não sei se brincávamos nossas poucas brincadeiras como em outros universos infantis da época. Era um mundo pequeno, limitado, mas é o mundo que hoje trago em minhas memórias e que, não sei, mas talvez seja um mundo mais lúdico, imaginativo, capaz de provocar maiores sensações recordativas em nossas memórias que o atual mundo dos bytes de memória.



Apresentação:



“Este projeto foi contemplado pelo Edital de Arte nos Pontos de Cultura Aldir Blanc - Concurso nº 02/2021-SECULT-GOIÁS – Secretaria de Cultura - Governo Federal".



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